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Em outubro de 2021, a China começou a descarregar uma pequena quantidade de carvão australiano que aguardava nos portos, apesar das restrições informais às compras da Austrália. Analistas citados no texto interpretaram o movimento como sinal da pressão causada pela crise energética naquele momento.
Os especialistas relacionaram a escassez de energia a riscos para o crescimento chinês e para cadeias globais de abastecimento.
Nick Ristic, da Braemar ACM Shipbroking, disse ao Financial Times que alguns carregamentos australianos puderam entrar nos portos chineses no fim de setembro. Sua estimativa era de cerca de 450 mil toneladas descarregadas.
A empresa de pesquisa Kpler apresentou uma estimativa diferente: cinco navios que aguardavam no mar teriam descarregado 383 mil toneladas de carvão térmico australiano no mês anterior.
Em 2020, Pequim havia orientado empresas estatais de energia e siderúrgicas a interromper importações de carvão australiano, afetando um setor exportador de grande valor.
Segundo dados da Argus Media citados no artigo, a Austrália enviou 35 milhões de toneladas de carvão térmico à China em 2020 e cerca de 50 milhões em 2018 e 2019. A Wood Mackenzie informou que, após novembro de 2020, as exportações para a China caíram praticamente a zero.
Racionamento de energia
Naquele período, várias províncias chinesas enfrentaram racionamento de energia, inclusive com restrições à produção de fábricas de alto consumo.
O regulador chinês de bancos e seguros pediu às instituições financeiras flexibilidade no crédito a usinas e minas de carvão para apoiar o abastecimento durante o inverno, segundo o artigo.
Lara Dong, da IHS Markit, avaliou que a entrada daqueles carregamentos australianos não indicava necessariamente uma mudança ampla de política comercial.
A escassez de carvão e o aumento dos preços internos e internacionais afetavam famílias e empresas. Os controles de preços da energia na China, segundo o texto, também reduziam o incentivo econômico para algumas usinas produzirem mais.
O contrato de carvão mais negociado na bolsa de Zhengzhou aproximou-se de novos recordes, após subir mais de 75% no mês anterior, conforme os dados citados na época.
Províncias chinesas buscaram ampliar importações da Indonésia, Rússia e Mongólia. Zhejiang também recebeu um carregamento do Cazaquistão. Analistas consideravam que as importações aliviariam apenas parte da escassez.
Importações não eram uma solução completa
Dong questionou se as importações poderiam resolver a crise: o carvão estava caro e não estava claro quem assumiria o custo adicional.
As remessas da Indonésia aumentaram. Segundo a Argus, uma qualidade média de carvão indonésio alcançou o preço recorde de US$ 166,50 por tonelada naquele período.
Mineradoras chinesas prometeram elevar a produção, mas analistas duvidavam de uma resposta rápida antes do inverno.
Naquela semana, o Goldman Sachs reduziu de 8,2% para 7,8% sua previsão de crescimento da China em 2021, citando a escassez de energia.
Uma combinação de fatores
O artigo também relacionou a crise às metas governamentais de redução do consumo total de energia e da intensidade energética, conhecidas como política de “duplo controle”.
Algumas províncias que não atingiram suas metas no primeiro semestre impuseram restrições mais rígidas posteriormente para tentar cumpri-las.
O texto recordou as metas anunciadas pelo governo chinês de atingir o pico das emissões de carbono até 2030 e a neutralidade até 2060.



